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Vida Querida

 

Alice Munro é uma das maiores escritoras canadenses. É considerada como a Tchekhov da América, embora seja menos ousada do que o russo. Seus contos são romances em miniatura, amplamente desenvolvidos e, às vezes, sutis. Neste livro, além dos contos, há narrativas autobiográficas — um artifício inteligente no qual se usa a ficção para iluminar pedaços sempre escuros da vida dos indivíduos. (Tradução de Caetano W. Galindo, Companhia das Letras)

 

Em 2013 a Companhia das Letras publicou Vida Querida no Brasil, livro que Alice declarou como sua última obra. Numa entrevista ao jornal National Post a escritora disse, em outras palavras, que escrever é algo solitário e por isso ela provavelmente pare, para deixar de ser solitária.

 

Vida Querida contém quatorze contos, divididos em duas partes, sendo a segunda parte, chamada de Finale, autobiográfica. Todos os contos abordam temas cotidianos, como o amor, o casamento, a morte, o adultério, a infância, a juventude, a velhice e a solidão. A maioria dos personagens são pessoas simples, que trabalham, cuidam dos filhos e sofrem com fatos que aconteceram no passado. O espaço ficcional é o interior do Canadá. As personagens femininas têm destaque na obra de Munro, todas se sobressaem na narrativa, mostrando características fortes.

 

Os contos que mais gostei foram:

 

Que chegue ao Japão, no qual Greta é uma mulher cansada da rotina do casamento e das obrigações da maternidade, até que se vê disposta a vivenciar novas aventuras em uma viagem de trem.

 

Amundsen que retrata parte da vida de uma professora que vai lecionar em um hospital para crianças com tuberculose e acaba se envolvendo em uma relação afetiva com seu patrão. O final é surpreendente, pois o conto parece ser mais uma história clichê, até Alice captar a atenção do leitor com sua escrita refinada e levá-lo até um desfecho inesperado.

 

Cascalho apresenta a história de uma mulher que traiu o marido, engravidou e decidiu viver com o amante, levando as filhas com ela. As filhas são o grande destaque da trama, seus sentimentos são bem destacados e o final é emocionante.

 

Deixando Maverley mostra uma moça que trabalha em um cinema e é proibida de ver os filmes por sua família que é extremamente conservadora. A moça conhece Rey, outro funcionário do cinema, que vive com sua esposa doente. Ambos se encontram e se desencontram ao longo da história, até que a solidão une os dois.

 

Nos contos que compõe Finale somos apresentados a algumas memórias de Alice, de várias etapas de sua vida. Nessas pequenas narrativas também encontramos temas comuns, como a descoberta do sexo oposto, a infância, a morte, a escola, a família, a compaixão e até mesmo alguns pensamentos inadequados.

 

Os demais contos do livro também são muito bons. Munro possui uma grande capacidade de contar histórias, seus temas cotidianos são gostosos de ler, e seus contos mesmo após o término, permanecem na memória. O Nobel foi um prêmio merecido e se Vida Querida for realmente seu último livro, é um “Grand Finale!”.

Por Aléxia Roche Via Livro & Café

Sobre o autor | Website

Lívia Croce é Coach de Líderes e Empreendedores

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